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Dados Básicos
Título
O PROCESSO DE LUTO INFANTIL: CRIANÇA, FAMÍLIA E SUAS INTERLOCUÇÕES NA PERDA DE UM MEMBRO DO NÚCLEO FAMILIAR
Número do projeto
055627
Número do processo
23081.020413/2021-96
Classificação principal
Pesquisa
Data inicial
13/03/2019
Data final
28/02/2023
Resumo
O vínculo é constituinte do sujeito em sua subjetividade e desde a infância assume destaque para o seu desenvolvimento. A família, considerada como primeira fonte de vinculação e relação da criança, promove no laço construído uma segurança e proteção a mesma, mediante o qual se lança uma referência para a compreensão acerca do mundo e de si. De modo particular, no encontro com a perda de um ente significativo do núcleo familiar, coloca-se em questão uma ameaça ao psiquismo da criança, do seu mundo até então consolidado e do vínculo com o familiar perdido, revelando possíveis marcas e repercussões à subjetividade. No presente projeto, parte-se do pressuposto de haver uma reconstrução e continuidade simbólica do vínculo com o ente perdido, buscando-se compreender como se apresenta o processo de luto infantil na perda de um ente significativo do núcleo familiar e as implicações que o luto familiar pode acarretar para tal vivência, tendo em destaque o caráter relacional do luto. Para isso, far-se-á uma pesquisa pautada no método clínico-qualitativo, com caráter descritivo e exploratório. No intuito de ter um entendimento do processo do luto, se realizará estudos de casos múltiplos com a abordagem longitudinal, visando o acompanhamento das crianças e famílias no primeiro ano e meio da vivência do luto, pautados em cerca de três encontros a cada dois ou três meses. Os possíveis participantes do estudo serão buscados por recurso de convite para a pesquisa através da rede social, bem como, se necessário mediante os cadastros de óbitos pela vigilância de saúde. Como instrumentos para a coleta de dados, utilizar-se-á entrevistas semi-estruturadas com os familiares responsáveis da criança, em separado, e no último encontro entrevista semi-estruturada da família em conjunto com a criança. Em seguida ao momento com a família, serão realizadas respectivamente entrevistas lúdicas por meio da técnica da Hora do Jogo com a criança nos três encontros. Todo material, com o consentimento dos participantes, será transcrito na íntegra para posteriormente ser analisado através da análise de conteúdo. Em todos os momentos da pesquisa serão respeitados os princípios éticos compostos na Resolução 510 de 07 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Saúde, a qual guia a ética nas pesquisas com seres humanos em Ciências Humanas e Sociais. Nesse sentido, serão respeitados os princípios da autonomia, beneficência, não mal eficiência, justiça e equidade, garantindo os direitos e deveres dos participantes da pesquisa, à comunidade científica e ao Estado.
Objetivos
Objetivo geral: Como se apresenta o processo de luto infantil frente a perda de um ente no núcleo familiar e as possíveis implicações do luto familiar para tal vivência. Objetivos específicos: - Identificar como o processo de luto pode afetar o desenvolvimento emocional da criança; - Qual função/espaço da perda na subjetividade do infante, bem como da família; - Relacionar a forma como as figuras responsáveis da criança elaboram o luto com o luto infantil; - Compreender o papel que o ente perdido assumia para a criança e a família; - Entender como se apresenta a comunicação e dinâmica familiar frente o processo de luto; - Compreender as histórias de perdas na família e o possível caráter transgeracional na forma de circulação da temática da morte; - Associar o modo como o processo de luto se transforma no transcorrer do tempo da pesquisa;
Justificativa
Defende-se a necessidade de trabalhar no meio científico o processo de luto no que consiste o seu caráter relacional e as mudanças que o vínculo pode apresentar na subjetividade, desenvolvimento e investimento do sujeito na vida. Estudos marcam que atualmente há evidências que as perdas e separações de pessoas significativas na vida do indivíduo podem ter efeitos importantes na saúde, podendo até mesmo aumentar o risco de mortalidade (Stroebe, Schut & Stroebe, 2007; Franco, Tinoco & Mazzora, 2017). Com isso, a investigação com enlutados possui relevância social e humanitária, visto que o luto é um fenômeno enfrentado pela sociedade de modo amplo, e que em seu curso natural pode afetar todos os âmbitos da vida do sujeito, no caráter emocional, comportamental, cognitivo, físico, social e espiritual. Torna-se importante referir em especial os perigos que consistem as repercussões psíquicas do luto, se não compreendidas e trabalhadas. Nessa lógica, a Política Nacional de Humanização (Brasil, 2004) estabelece na perspectiva do coletivo da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), a indicação de que se construam planejamentos para implantar ações de cuidados de luto, fortalecendo-as onde já existem, e realizando-as de modo coletivo e entre os setores. Sendo um processo que pode acarretar uma desorganização psíquica já para o adulto, para a criança pode se fazer ainda mais desorganizador, já que os infantes se encontram em um processo de desenvolvimento psíquico e emocional com nuances particulares (Leando & Freitas, 2015). Estudos mostram que a vivência de uma perda pela criança se não elaborada e vivenciada de forma a ser acolhida pelo ambiente, pode ser revivida de modo intenso no transcorrer do seu crescimento a cada acontecimento que acione a lembrança da perda, bem como pode reproduzir conflitivas nas relações futuras do enlutado consigo e com os outros, levando em casos mais graves, a possibilidades de influenciar em complicações psíquicas e quadros de problemáticas da saúde mental no adulto (Bolwby, 2001). Em suma, a criança ao não elaborar o luto pode mais tarde apresentar sintomas de depressão ou inabilidade de relacionamentos próximos na vida adulta, como se a sua vida tivesse paralizada após a perda (Santamaría, 2010; Strecht, 2010). Para isso é primordial estudar o luto que se adapte a vivência infantil e, por meio deste reconhecer o impacto da morte de alguém íntimo a criança, visto que uma parte considerável da sua organização futura e da sua subjetividade baseiam-se na dinâmica entre a construção e a revisão de elos afetivos significativos (Santamaría, 2010; Strecht, 2010). Nisso refletir o luto infantil corresponde necessariamente a entender as fantasias e as dinâmicas possíveis na apreensão do infante sobre o fenômeno da perda e, em especial, atentar a como esse é proporcionado e experienciado pelo meio que o circunda. A conflitiva individual após uma perda não se resume somente ao sofrimento, mas também ao resultado e implicações de mudanças em um realinhamento do campo emocional da família, ou seja no aspecto relacional que o processo de luto demanda (Carter & McGoldrick, 1995).
Resultados esperados
A forma como uma criança elabora uma perda de um ente querido se relaciona aos fatores intrapsíquicos, mediante recursos que mediam o encontro com as repercussões da morte, bem como de fatores externos, que condizem ao vínculo estabelecido com a pessoa que se perdeu, as circunstâncias que a perda decorreu, as informações disponibilizadas para a criança, as possibilidades de comunicação sobre o ocorrido, além da dinâmica familiar, dos estressores e mudanças na rotina da criança e da relação com as possibilidades de elaboração da figura sobrevivente e do restante da família (Aberastury, 1984; Bowlby, 1998; Worden, 2013). A relação de afeto influência de maneira mais direta o sofrimento oriundo da perda. Quando se trata da morte de pessoas com as quais estão estabelecidos os vínculos mais próximos, ou seja, pai, mãe, irmão, avós, padrinhos entre outros, o sofrimento pode se fazer mais intenso e há sempre alguém que possuirá uma história a lembrar e traços próprios que o vínculo constituiu à subjetividade do enlutado. Como um vínculo provedor de sustentação e fonte de segurança a criança, as figuras paternas assumem centralidade na vida psíquica infantil, muitas vezes assumem um papel idealizado e de cuidado, como fonte principal de identificação do infante. Uma ausência irreversível de tal presença mediante a perda de alguma dessas figuras tira um lugar seguro na vida e se demonstra como uma experiência com significativo impacto, ferindo a ilusão de onipotência infantil no período que tal é necessária para a construção e segurança da criança. Um mundo até então apresentado e estruturado pelas figuras parentais, as quais podiam se afastar mas retornavam, é abalado e esfacelado frente a ausência de um retorno do mesmo e de uma previsibilidade organizadora ao sujeito, a deparando com sentimento de impotência e desamparo. Com isso autores destacam sentimentos de ameaça a sobrevivência física e psíquica da criança mediante a perda parental e a mobilização de fantasias da criança que ferem, muitas vezes a um sentimento de culpa e raiva (Franco & Mazzora, 2007; Pallotino, 2020). Como mediador à relação familiar, o irmão se apresenta como alguém que concorre ao amor de um mesmo parental, e também ocasiona aprendizados do laço social. O papel de um irmão de forma singular assume destaque na constituição da subjetividade infantil, podendo advir como um modelo de identificação, alguém com que se fazem descobertas importantes, e se iniciam a formação dos laços sociais, produzindo como base para a construção de sentimentos de fraternidade e solidariedade que se demonstrarão nas trocas sociais. Estes laços fraternos expõe a rivalidade e ao seu lado a reconciliação que faz o laço, que separa e une tais vínculos (Miceli, 2013). Nos papeis familiares ainda os avós assumem, muitas vezes, uma posição de abrigo e papel ativo na transmissão simbólica a infância, podem possuir um papel de acolhimento e afeto, representando uma amparo no seu crescimento. Ademais as figuras dos avós, transmitirem legados e histórias familiares com implicações no desenvolvimento psíquico do infante (Lacerda, 2020). Frente a perda destas e demais figuras especiais a criança, ficam em aberto os papéis que assumiam em suas vidas, desde uma referência, uma idealização, suporte e alguém que compartilhava e construía a vida. Ao lado disso, a criança além de perder um papel importante em sua vida, perde também uma situação familiar que se apresentava antes da perda, uma vez que a família precisa se reorganizar diante da ausência de um dos seus membros e se enluta neste processo. Nessa linha, o ente familiar sobrevivente em função do vínculo com o falecido também sofre e se encontra fragilizado, não conseguindo, muitas vezes, exercer um suporte a criança, o que ocasiona um sentimento maior de desamparo em um momento que precisa que alguém seja continente para os seus sentimentos, ajudando-a a lidar com a ambivalência emocional e os contornos do luto (Franco & Mazzora, 2007). O luto é circunscrito em uma família e uma cultura que legitima ou não a vivência deste processo. Segundo Mazorra (2009) o enlutado por vezes não é reconhecido em sua dor, e modo comum quanto a criança enlutada, esta é desconsiderada, ou considerada incapaz pela sociedade de experienciar o luto, privando-a de informações e do compartilhamento da dor, o que a impede de concretizar a realidade da perda e ser acolhida em sua expressão e fantasias acerca da morte. Com isso, o processo de luto infantil pode se tornar ainda mais penoso, devido a necessidade da criança lidar com as mudanças que percebe do ambiente e da família, com recursos unicamente próprios (Paiva, 2011). Ao lado disso, a capacidade de lidar e se adaptar a perda está no âmago de todas as habilidades dos sistemas familiares saudáveis. As famílias que possuem uma abertura para compartilhar as suas expressões e sentimentos de sofrimento, podem mediante o luto se fortalecer enquanto unidade e todos integrantes (Walsh & McGoldrick, 1998). Estudos corroboram que o sistema familiar ao exercer o seu funcionamento de modo a favorecer o apoio mútuo aos membros se aproxima de um ajustamento adaptativo à perda. No acolhimento das diferentes expressões do luto e de pensamentos e opiniões que o rodeiam, proporciona-se o reconhecimento da singularidade da dor do enlutado e das diversas repercussões que a perda assume para os familiares, permitindo-os criar recursos e enfrentamentos para a situação da perda (Santos et al., 2016). Franqueira, Magalhães e Féres-Carneiro (2015) em sua pesquisa com cinco mães que perderam filho em diversas situações, demonstra que mesmo como uma vivência devastadora, que causa sofrimento e dor, a perda de alguém que se ama pode adquirir o sentido de um acontecimento que promove o crescimento e desenvolvimento dos pais. Dessa maneira, para além dos aspectos negativos da perda de um ente, mediante recursos construídos para a elaboração, proporciona-se um crescimento, autoconhecimento, e valorização dos familiares.
Projeto em âmbito confidencial
Não
Projeto superior
-
Palavra-chave 1
Luto
Palavra-chave 2
Luto Infantil
Palavra-chave 3
Infância
Palavra-chave 4
Família
Tipo de evento
Não se aplica
Carga horária do curso
[Não informado]
Situação
Em andamento
Avaliação
Não avaliado
Última avaliação
[Não informado]
Gestão do conhecimento e gestão financeira
O projeto pode gerar conhecimento passível de proteção?
Não
Propriedade Intelectual
[Não informado]
Proteção Especial
[Não informado]
Direito Autoral - Copyright
Não
O projeto contrata uma fundação? Indique a fundação
Não necessita contratar fundação
Classificações
Tipo
Classificação
Classificação CNPq
7.07.00.00-1 PSICOLOGIA
Grupo do CNPq
014 NÚCLEO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINAR EM SAÚDE
Linha de pesquisa
06.45.00 Problemáticas de Saúde e Contextos Institucionais
Quanto ao tipo de projeto de pesquisa
2.04 Projeto de Tese

Plano Gestão
Objetivo Estratégico
PDI 2016-2026 - Desafios
Desenvolvimento local, regional e nacional
Participantes
Matrícula Nome Função Carga Horária Período
@{matricula} @{pessoa.nomePessoa} @{funcao.descricao} @{cargaHoraria} h/semana @{dataInicial|format=dd/MM/yyyy} a @{dataFinal|format=dd/MM/yyyy}
Órgãos
Unidade Função Período
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Plano de Trabalho
Metas/Indicadores/Fases
  • Meta:
    1. - Como se apresenta o processo de luto infantil frente a perda de um ente no núcleo familiar e as possíveis implicações do luto familiar para tal vivência.
    Período:
    13/03/2021 a 28/02/2023
    Valor:
    R$ [Não informado]
    Conclusão:
    0 %
    • Indicador:
      Artigos publicados em revistas da área
      Valor:
      7
      Conclusão:
      0
    • Fase:
      1.9 - Defesa da Tese
      Período:
      15/01/2023 a 31/01/2023
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.10 - Ajustes finais da Tese e publicação X X
      Período:
      01/02/2023 a 28/02/2023
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.1 - Qualificação do Projeto de Tese
      Período:
      13/03/2021 a 16/04/2021
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.2 - Levantamento Bibliográfico
      Período:
      13/03/2021 a 31/10/2022
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.3 - Fichamentos
      Período:
      13/03/2021 a 31/10/2022
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.4 - Avaliação do projeto pelo Comitê de ética
      Período:
      13/03/2021 a 30/04/2021
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.5 - Coleta de Dados
      Período:
      30/04/2021 a 31/12/2021
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.6 - Análise de dados
      Período:
      01/06/2021 a 31/12/2021
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.7 - Redação da Tese
      Período:
      01/06/2021 a 31/12/2022
      Conclusão:
      0 %
    • Fase:
      1.8 - Construção de Artigo Científico sobre a temática
      Período:
      01/06/2021 a 31/12/2021
      Conclusão:
      0 %