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Dados Básicos
Título
AS MANIFESTAÇÕES DA JUVENILIZAÇÃO DOS ESTUDANTES NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Número do projeto
053490
Número do processo
23081.005164/2020-28
Classificação principal
Pesquisa
Data inicial
30/01/2020
Data final
30/12/2022
Resumo
Este projeto, apresentado para qualificação ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria, nível doutorado, propõe a seguinte questão de pesquisa: de que maneira o processo de juvenilização da Educação de Jovens e Adultos se manifesta no currículo escolar em uma perspectiva de justiça social? Tem o objetivo geral de analisar as manifestações do processo de juvenilização da Educação de Jovens e Adultos no currículo escolar em uma perspectiva de justiça social. Propomos como objetivos específicos traçar o perfil dos jovens estudantes e dos professores que atuam na Educação de Jovens e Adultos nas escolas municipais de Alegrete; entender os processos que levam o estudante do Ensino Fundamental em tempo regular para a Educação de Jovens e Adultos e sua trajetória na modalidade; verificar como o professor incorpora no currículo a presença dos jovens na Educação de Jovens e Adultos e compreender o currículo escolar da Educação de Jovens e Adultos em uma perspectiva de justiça social. Para o desenvolvimento do referencial teórico que nos sustentará, dialogamos com Paulo Freire (2017; 2000, 1987), Juarez Dayrell (2016; 2007; 2006), José Gimeno Sacristán (2017; 2013), Raewin Connel (2006), dentre outros. Será realizada uma pesquisa de viés qualitativo do tipo estudo de caso. Como instrumentos de levantamento de dados serão utilizados o grupo de discussão, o questionário e a entrevista semiestruturada. As informações recolhidas junto aos sujeitos serão tratadas através da análise textual qualitativa. O contexto deste projeto será três polos de Educação de Jovens e Adultos da rede municipal da cidade de Alegrete/RS, e os sujeitos serão seus estudantes entre 15 e 29 anos e os professores atuantes na modalidade.
Objetivos
traçar o perfil dos jovens estudantes e dos professores que atuam na Educação de Jovens e Adultos nas escolas municipais de Alegrete; entender os processos que levam o estudante do Ensino Fundamental em tempo regular para a Educação de Jovens e Adultos e sua trajetória na modalidade; verificar como o professor incorpora no currículo a presença dos jovens na Educação de Jovens e Adultos e compreender o currículo escolar da Educação de Jovens e Adultos em uma perspectiva de justiça social.
Justificativa
Muito se fala sobre como os professores que trabalham na Educação de Jovens e Adultos - EJA são aqueles que começam sua carreira profissional em outros níveis da escolarização e depois, por algum impedimento da vida pessoal ou profissional, são encaminhados para a modalidade por ser a alternativa possível no momento. Para mim, foi exatamente dessa forma que aconteceu meu primeiro contato profissional com a EJA, episódio que me abriu outra perspectiva de docência e de vida. Certamente, melhor seria se os profissionais que trabalham na EJA tivessem formação específica. Melhor ainda se houvesse concurso exclusivo para a atuação na modalidade no município onde moro. Entretanto, esta é uma perspectiva que está no rol das utopias educacionais com as quais podemos sonhar, mas ainda não podemos contar. Enquanto elas não se realizam, há um número grande de estudantes esperando por seus professores nas turmas destinadas àqueles com defasagem idade/série, sem contar os que poderiam estar na escola, mas não estão. Há também um contingente docente que precisa complementar sua renda no terceiro turno em um país que remunera seus professores municipais e estaduais precariamente: cerca de R$3.300,00 para um regime de 40 horas semanais (INEP, 2017). Quando comecei na EJA, em 2014, já trabalhava há sete anos como professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental com crianças. Minhas primeiras percepções não foram as das carências estruturais, e sim as das profissionais. Embora tivéssemos um dia por semana destinado para formação de professores da modalidade, nem sempre aproveitávamos esse tempo para trabalhar a partir das necessidades de aprendizagem dos alunos ou dos dilemas vividos pelos docentes em seu dia a dia profissional. Foi esta inquietação que me levou a procurar o mestrado em Educação ainda em 2014, com a proposta de investigar, junto com meus colegas, a necessidade de ressignificar esses espaços e trabalhar as questões da formação pedagógica específica para a Educação de Jovens e Adultos. O projeto que propus buscou desenvolver o planejamento, a execução e a avaliação de uma intervenção cujo objetivo era a constituição de um espaço sistemático de formação continuada para os docentes da EJA na escola onde atuávamos meus colegas e eu. Ao total, foram oito encontros onde realizamos estudos, planejamentos coletivos, lanches pedagógicos, que tinham como objetivo 17 fortalecer o vínculo entre o grupo para qualificar os processos de ensino e de aprendizagem desenvolvidos com os estudantes. Para tanto, foi necessário desenvolver um diagnóstico para identificação, descrição, análise e compreensão do contexto de inserção do projeto de intervenção; planejar, executar e avaliar um plano de ação, e elaborar um relatório crítico e reflexivo sobre o processo vivenciado. Desenvolver esse projeto não foi uma tarefa fácil nem por sua logística, nem pelas expectativas que construí e pelas frustrações que encontrei pelo caminho. O trabalho com formação de professores é coletivo e sua continuidade depende de todos os que se propõem a fazê-lo. Enquanto as ações da pesquisa duraram, os professores eram assíduos, participativos, as aulas coletivas geraram discussões e conhecimentos importantes para estudantes e professores. Um grupo parecia ter se formado e tínhamos perspectivas de manter um novo espaço de formação pedagógica afastado das reuniões exclusivamente burocráticas, tendo como foco as aprendizagens construídas coletivamente. Quando as ações do projeto acabaram, vivemos ainda por um tempo aquela atmosfera de planejamentos, estudos, preocupação com as aprendizagens de nossos estudantes reais. Depois de um tempo, as reuniões começaram a voltar a seu formato original, e por um período deixaram de acontecer por demandas da própria Secretaria Municipal de Educação. Hoje, três anos após defender meu relatório crítico e reflexivo, observo que voltamos à formatação antiga dos encontros pedagógicos, ou burocráticos, o que em mim reflete um forte sentimento de solidão docente. Para além disso, fica posta a necessidade da manutenção da motivação dos professores, que parece não se dar sozinha. Em 2017, com novos questionamentos ainda sobre a modalidade, senti a necessidade de voltar a estudar. Na época, minha proposta era investigar a trajetória acadêmica de egressos da EJA no Ensino Superior. Minhas inquietações não estavam no acesso, que sabemos, teve uma ampliação significativa durante os governos populares do início dos anos 2000. Como servidora do setor pedagógico da Universidade Federal do Pampa, me inquietava os grandes desafios na permanência desses estudantes por questões financeiras, mas principalmente por questões relacionadas aos processos de ensino e de aprendizagem. Juntas, minha orientadora e eu, a professora Drª. Nara Vieira Ramos, decidimos que seria mais produtivo mudar o foco do projeto de pesquisa, considerando minha trajetória profissional e minha experiência anterior com a pesquisa do mestrado. 18 Embora minha graduação em Pedagogia, concluída há 14 anos, contemple formação para a EJA, é há cinco anos que mantenho essa relação diária não só com as práticas na escola, mas também com a pesquisa na área. Pesquisar a Educação de Jovens e Adultos possui uma relevância pessoal que me auxilia em minha prática diária com os estudantes, em minha função de regente de uma turma plurisseriada do Ciclo de Alfabetização, e com meus colegas, nas discussões onde aprendemos uns com os outros as melhores formas de lidar com os desafios com os quais nos deparamos diariamente. Para mim, trabalhar com os jovens e os adultos é um compromisso com a cidadania, com a busca pela garantia de direitos que ainda não são acessados por todos. É um trabalho que dá significado a minha trajetória e que parece ser um caminho sem volta. Por esse motivo, propomos um projeto ligado efetivamente à prática, ao cotidiano escolar e a partir de temáticas que afetam nossos estudantes multifatorialmente. Nossas intenções de pesquisa estão nos estudos sobre o currículo da EJA, considerando a intensificação do processo de juvenilização da modalidade ocorrido nas últimas décadas. Para isso, nos centramos no recorte etário entre 15 e 29 anos, explorando a faixa populacional que o Estatuto da Juventude designa como jovem no Brasil. É a partir desta faixa etária que faremos nossas análises, salvo casos em que as pesquisas utilizem outros referenciais de idade, a fim de demonstrar a importância e a urgência de estudos nesta área. Para melhor compreender quem são esses jovens e suas relações com a educação, propomos uma revisão dos dados quantitativos disponíveis no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a partir da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, PNAD Contínua Educação 2018, e dos estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, INEP, através de uma análise qualitativa. Em 2018, o Brasil possuía uma população de aproximadamente 207 milhões de habitantes. Destes, por volta de 47 milhões eram mulheres e homens que tinham entre 15 e 29 anos, segundo dados do PNAD Contínua 20182, constituindo cerca de 11% da população para cada sexo neste recorte. Importante observar que, embora a população em 2010 fosse menor (cerca de 15 milhões de pessoas a menos), o número 2 Dados obtidos na página do IBGE, disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnadcontinua.html?edicao=24772&t=publicacoes Acesso em 26 de junho de 2019. 19 de jovens era maior em comparação a 2018, o que junto à queda nos nascimentos indica o envelhecimento da população do país. Do total de habitantes, no que tange às questões de cor e raça, 60% se autodeclararam de cor preta ou parda e 39,1% se autodeclararam de cor branca. É interessante observar o aumento do número de pessoas que se autodeclararam negras: em 2012, foram 14,5 milhões de cor preta e 89,6 milhões de cor parda; em 2018, foram 19,2 milhões de cor preta e 96,7 milhões de cor parda. Só para a cor preta, houve um aumento de 32,2% de autodeclarações. Enquanto isso, o percentual de pessoas que se autodeclararam de cor branca diminuiu, passando de 92,2 milhões em 2012 para 89,7 milhões em 2018. Estes índices podem demonstrar a influência das políticas afirmativas e dos movimentos sociais em favor das lutas por representatividade e reconhecimento, bem como o impacto das distintas metodologias das pesquisas nos diferentes anos, já que antes o item 'cor ou raça' era indicado pelo entrevistador, e agora é autodeclarado pelo informante.
Resultados esperados
É uma pesquisa de Doutorado e não trabalhamos com resultados a priori.
Projeto em âmbito confidencial
Não
Projeto superior
041738 - EDUCAÇÃO PARA A JUSTIÇA SOCIAL: EDUCADORES E JOVENS DO ENSINO MÉDIO PÚBLICO DE SANTA MARIA/RS
Palavra-chave 1
Currículo da Educação de
Palavra-chave 2
JUventudes
Palavra-chave 3
Justiça Social
Palavra-chave 4
[Não informado]
Tipo de evento
Não se aplica
Carga horária do curso
[Não informado]
Situação
Em andamento
Avaliação
Sem pendências de avaliação
Última avaliação
02/03/2021
Gestão do conhecimento e gestão financeira
O projeto pode gerar conhecimento passível de proteção?
Não
Propriedade Intelectual
[Não informado]
Proteção Especial
[Não informado]
Direito Autoral - Copyright
Não
O projeto contrata uma fundação? Indique a fundação
Não necessita contratar fundação
Classificações
Tipo
Classificação
Classificação CNPq
7.08.00.00-6 EDUCAÇÃO
Grupo do CNPq
557 Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Infâncias, Juventudes e suas Famílias - GEPIJUF -
Linha de pesquisa
99.00.00 LINHA DE PESQUISA INEXISTENTE
Quanto ao tipo de projeto de pesquisa
2.04 Projeto de Tese

Plano Gestão
Objetivo Estratégico
PDI 2016-2026 - Desafios
Inclusão social
Participantes
Matrícula Nome Função Carga Horária Período
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Órgãos
Unidade Função Período
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Plano de Trabalho
Metas/Indicadores/Fases
  • Meta:
    1 - analisar as manifestações do processo de juvenilização da Educação de Jovens e Adultos no currículo escolar em uma perspectiva de justiça social.
    Período:
    30/01/2020 a 30/12/2022
    Valor:
    R$ [Não informado]
    Conclusão:
    60 %