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Anais 25ª JAI

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ENCEFALOPATIA HEPÁTICA EM CÃES: RELATO DE 04 CASOS

JOSIANE DE OLIVEIRA MARQUES 1, ALEXANDRE MAZZANTI 2, DAKIR NILTON POLIDORO NETO3, TAÍS DE FREITAS MIRANDA3, VERONICA METZ WEBER 3, GRACIANE AIELLO 3

Introdução

A Encefalopatia Hepática é uma síndrome clínica complexa e multifatorial que provém de uma falha do fígado em filtrar o sangue portal a partir do trato intestinal antes deste entrar na circulação sistêmica. Conseqüentemente, as toxinas e os produtos metabólicos atingem a circulação causando neurotoxicidade. A Encefalopatia Hepática ocorre frequentemente secundária ao desvio portossistêmico congênito(DPS). O DPS pode ser intra ou extra-hepático, sendo que o extra-hepático ocorre comumente em raças de porte pequeno (Yorkshire Terrier, Schnauzer miniatura). Os sinais clínicos incluem confusão mental, andar compulsivo, comportamento alterado, compressão da cabeça contra objeto fixo, crises convulsivas e sinais clínicos de insuficiência hepática. O diagnóstico baseia-se principalmente na associação dos sinais neurológicos e clínicos. O tratamento clínico consiste em diminuir as toxinas e controlar as convulsões. O prognóstico é variável é favorável para os pacientes com DPS extra-hepáticos.

Objetivos

O objetivo deste relato foi apresentar quatro casos de encefalopatia hepática em cães filhotes, das raças Yorkshire Terrier e Maltez, ressaltando a importância em relacionar as disfunções hepáticas nos cães jovens, de raça miniatura, que apresentam sinais clínicos neurológicos progressivos de encefalopatia, o tratamento empregado e a melhora clínica dos pacientes.

Metodologia

Foram atendidos no Hospital Veterinário Universitário (HVU) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), três cães da raça Yorkshire Terrier e um cão da raça Maltez, com idades entre cinco e seis meses. Os pacientes apresentavam histórico se andar compulsivo, compressão da cabeça contra objetos fixos, sialorréia, vômito e alteração do nível de consciência. Como exames complementares foram solicitados análise hematológica e bioquímica sérica. A aminolaniltransferase (ALT) e a fosfatase alcalina (FA) estavam acima dos parâmetros normais nos três pacientes. Em todos os pacientes os sinais clínicos foram progressivos e a neurolocalização da lesão foi tálamo-cortical. O diagnostico presuntivo foi de Encefalopatia Hepática. Os cães receberam tratamento com fluidoterapia, lactulose, metronidazol, ração hepática. Os pacientes apresentaram melhora clínica nos primeiros dias de tratamento. Os sinais de encefalopatia cessaram com a estabilização clínica.

Resultados

  Os sinais clínicos da encefalopatia hepática aparecem durante o primeiro ano de vida, assim como nestes pacientes, mas ocasionalmente podem ser encontrados em cães adultos. O diagnóstico nos pacientes deste relato foi realizado através da anamnese, dos sinais clínicos, dos resultados de exames laboratoriais e da resposta ao tratamento clínico. Exames como portografia mesentérica, ultra-sonografia abdominal e cintilografia pré-retal, podem auxiliar no diagnóstico, mas nem sempre são conclusivos. O tratamento instituído nos cães atendidos no HVU consistiu em estabilizar o metabolismo dos pacientes através de fármacos e da substituição da ração convencional pela a ração hepática. A dieta com baixo teor de proteína de alta qualidade reduz a produção de amônia pelas bactérias do intestino, diminuindo os níveis de toxina circulante.  Nenhum dos pacientes foi submetido ainda ao procedimento cirúrgico para correção do desvio portossistêmico.

Conclusão

 O caso traz como relevância clínica, a importância em relacionar as disfunções hepáticas nos cães jovens, de raça miniatura, que apresentam sinais neurológicos progressivos de encefalopatia. O tratamento clínico para encefalopatia hepática foi eficiente para reduzir as toxinas circulantes na corrente sanguínea e possibilitou a melhora dos sinais clínicos apresentados. Atualmente os pacientes encontram-se estáveis e permanecem apenas consumindo a ração hepática.

1 autor, 2 orientador, 3 co-autor