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Anais 25ª JAI

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INTERVENÇÃO NO AUTISMO: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM O PROGRAMA SON-RISE

ALICE DEZOTTI FREITAS1, CARLO SCHMIDT 2, JOÍSE DE BRUM BERTAZZO 3, CRISTIANE KUBASKI 3

Introdução

A necessidade de intervenção precoce para pessoas com diagnóstico de autismo tem sido reiteradamente confirmada pela literatura. No entanto, poucas experiências sobre programas de intervenção têm sido publicadas, especialmente no Brasil, o que dificulta identificar o impacto dessas práticas tanto no desenvolvimento da criança quanto na família. Este projeto busca acompanhar o processo de implantação do Programa Son-Rise (SRP) e a intervenção desenvolvida com uma criança com autismo conduzida por seus pais, em sua residência, ao longo de um ano. O SRP foi originalmente desenvolvido como intervenção para crianças com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), mas atualmente vem sendo utilizado com crianças e adultos com diversas necessidades educativas especiais.

Objetivos

A presente pesquisa tem como objetivo, acompanhar o processo de intervenção com uma criança com autismo através do Programa Son-Rise, e analisar de forma longitudinal o impacto deste modelo de intervenção tanto sobre o desenvolvimento da criança como sobre todo o sistema familiar.

Metodologia

Deste estudo, esta participando uma família composta pelo pai, mãe, uma filha e um filho com autismo e cinco facilitadoras, alunas do Curso de Educação Especial da UFSM. Este projeto utiliza-se de um delineamento do tipo Estudo de caso único com finalidade instrumental. Utilizou-se como instrumentos, a Ficha sobre Dados Demográficos e Características da Criança (SCHMIDT, 2004) visando coletar dados para a caracterização da família, tais como: idade, escolaridade e profissão dos pais e/ou irmãos, genograma familiar, dados e características sobre a pessoa com autismo. A Childhood Autism Rating Scale (CARS) que é especialmente eficaz na distinção de casos de autismo leve, moderado e grave, além de discriminar crianças autistas daquelas com deficiência mental. Questionários semi-estruturados desenhados para identificar a adaptação da família, avaliação longitudinal do desenvolvimento da criança com autismo e a percepção da equipe de facilitadores sobre a intervenção.

Resultados

O término do projeto esta previsto para o final de Dezembro de 2010, assim, apresentamos a seguir os resultados parciais da pesquisa. A primeira avaliação da CARS foi realizada por cada um dos cinco facilitadores do SRP e pelo neuropediatra que acompanha o caso. A média das pontuações totalizaram 36,67. De acordo com os pontos de corte da escala (entre 5 e 30 corresponde à ausência de autismo, 30 a 36 autismo leve a moderado e entre 36 a 60 autismo grave) a criança situa-se na fronteira entre a forma moderada e grave do autismo. Avaliando o total de horas de intervenções realizadas percebemos que houve uma variante no transcorrer do projeto, iniciando com 01h30min min. por dia, aumentando para 02h00min e decrescendo para 01h30min novamente. Houve também uma troca de facilitadores, totalizando 3 até o presente momento.Tal fato ocorreu devido a conflitos das intervenções com  os horários das disciplinas da universidade ou por motivos desistência deliberada.

Conclusão

Não temos ainda os dados finais sobre o impacto da intervenção no desenvolvimento da criança, mas dados da avaliação longitudinal sugerem avanços, principalmente na área da comunicação verbal, que se encontrava inicialmente quase ausente, e hoje é caracterizada por balbucios e palavras isoladas, eventualmente. Já sobre o impacto do programa na família, foi percebido que os momentos de trocas de tutoras foi um fator gerador de ansiedade e insegurança, dado o papel de intimidade que estas desempenham no seio da família durante suas intervenções diárias. Destaca-se também as dificuldades em conciliar as rotinas familiares com as intervenções, tal como a sincronia entre o ritmo circadiano da criança e a previsão de início da intervenção, o que exigiu uma readaptação da família. Apesar dos dados obtidos até então serem parciais, pode-se perceber que uma intervenção intensiva como o Son-Rise pode tanto oferecer ganhos no desenvolvimento da criança quanto gerar estresse adicional à família.

1 autor, 2 orientador, 3 co-autor