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Anais 25ª JAI

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EDUCAÇÃO PERMANENTE DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE: UMA PROPOSTA IMPLEMENTADA POR ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM

LUANA POSSAMAI MENEZES 1, MARTA COCCO DA COSTA 2, DARIELLI GINDRI RESTA 3, PATRICIA CAPRINI GUZZO3, CAMILA FORTES CORRÊA3, VIVIANE GALLON MENDONCA 3

Resumo

Trata-se de uma proposta de educação permanente em saúde implementada por acadêmicos de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria/Centro de Educação Superior Norte, junto aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A construção desse trabalho partiu das atividades de ensino e de extensão desenvolvidas nas unidades básicas de saúde em parceria com os ACS do município de Palmeira das Missões/RS, em que identificou-se a necessidade de articulação entre instituição de ensino e serviços de saúde, no sentido de instrumentalizar as práticas em saúde desse trabalhador para a produção de cuidado, utilizando como ferramenta a educação permanente em saúde. Optou-se em utilizar a metodologia problematizadora, desenvolvendo oficinas, dramatizações, modelagens, seminários, fitas educativas, relatos de experiência, entre outros, utilizando como subsídios os materiais didáticos do Ministério da Saúde. Participaram das oficinas 25 ACS, das áreas urbanas e rurais. As oficinas foram conduzidas por mediador/professor e aconteceram mensalmente de abril a novembro de 2009, com duração de 3 horas. Os temas abordados emergiram no primeiro encontro, quando os acadêmicos apresentaram a proposta do projeto e ouviram as necessidades dos ACS. Organizaram-se em Módulos: Módulo I: Dimensão motivacional e o processo de trabalho; Módulo II: Conhecimento Técnico Científico e Módulo III: Estratégias de Cuidado. Os resultados mostram que os ACS puderam pensar, re-pensar, refletir e trocar experiências sentido-se mais preparados para atuarem em seu cotidiano. Confirma-se com este relato que a educação permanente é um valioso instrumento utilizado pelas equipes de saúde, conduzido pelo enfermeiro (a) para qualificar as ações em saúde. Práticas como esta, são reconhecidas como oportunidades de aprendizado mútuo, educador e educando aprendem entre si, facilitando sobremaneira a capacitação em serviço.

Objetivos

Implantar e implementar a Educação permanente em saúde junto aos Agentes Comunitários de Saúde do município de Palmeira das Missões, a fim de instrumentalizar suas práticas em saúde para a produção de cuidado. Sensibilizar os Agentes Comunitários de saúde, da importância do desenvolvimento de práticas educativas e promocionais com a comunidade, bem como ampliar suas ferramentas para a prestação do cuidado. Inserir os acadêmicos de enfermagem em espaços de futura atuação e possibilitar a reflexão de propostas inovadoras de educação permanente em saúde.

Justificativa

A educação tem sido considerada ferramenta para mudanças e transformações em uma sociedade. Neste enfoque, a educação dos trabalhadores em saúde é fator essencial para o desenvolvimento da sociedade que vive em constantes transformações. No mundo do trabalho, a possibilidade de educação permanente deve contemplar a incorporação de novas tecnologias, e a própria pressão social deve desencadear processos que assegurem a cidadania (RICALDONI; SENA, 2006). A EACS e a ESF têm como objetivo a aproximação, o acolhimento, o vínculo dos usuários de saúde. Dentre os profissionais que atuam nessas estratégias, destaca-se o ACS visto possuir um papel específico, convivendo com a realidade e as práticas de saúde do bairro onde reside, tornando-se mediador entre o sistema de saúde e a comunidade, e uma das suas funções é desenvolver atividades de educação em saúde, individuais e coletivas, estimulando a população a promoção da saúde e a prevenção de doenças. Neste sentido, os agentes comunitários de saúde, são essenciais, pois ampliam a eficiência das ações de saúde, tentando consolidar as diretrizes e princípios do SUS e mobilizando a participação social da comunidade (MALFITANO, LOPES 2009). As transformações sociais e educacionais têm repercussões nos modos de produzir, nos diferentes campos do saber e de produção de bens e de serviços. A formação contínua promove a construção das habilidades e competências dos ACS, consolidando as diretrizes da ESF e quando empregada como norteadora de um trabalho coletivo no qual existem relações concretas possibilita a discussão dos problemas enfrentados no cotidiano com elaboração de intervenção e posterior avaliação. Neste sentido, ressalta-se a Educação Permanente em Saúde como estratégia fundamental às transformações do trabalho no setor saúde para que venha a ser lugar de atuação crítica, reflexiva, propositiva, compromissada e tecnicamente competente (CECCIM, 2005).

Metodologia e Marco Teórico e Conceitual

Para efetivação da proposta utilizou-se a metodologia da problematização que tem como objetivo, potencializar participantes e agentes da transformação social, para detectar os problemas reais e buscar para eles soluções (FREIRE, 2005). A implementação deu-se por meio de oficinas educativas com os agentes comunitários de saúde, por ser uma prática pedagógica que valoriza a participação e o saber coletivo, foram realizadas dinâmicas em grupo como processo de reflexão, apreensão da realidade, construção de conhecimento e oportunidade de pensamento crítico, buscando contribuir e instrumentalizar as práticas em saúdes desses profissionais para a produção do cuidado. Salienta-se que em cada oficina, tinha a presença de um mediador que conduzia as atividades e a média de ACS que participaram foi 25. As oficinas aconteceram mensalmente durante o ano de 2009 e prosseguem no ano de 2010, com duração de 3 horas, nas dependências do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST e do Campus da Universidade Federal de Santa Maria UFSM – Centro de Ensino Superior do Norte do RS – CESNORS Campi Palmeira das Missões. Inicialmente, realizou-se um encontro com os agentes comunitários em que apresentou-se os objetivos e a finalidade da proposta. Para a construção das temáticas a serem trabalhadas, utilizou-se dinâmica de grupo, em que todos puderam participar e mencionar suas necessidades e foram organizadas em módulos: Módulo I: Dimensão motivacional e o processo de trabalho (Resgatando a auto-estima: uma necessidade para esse trabalhador; Trabalho em equipe: repensando o processo de trabalho; Atribuições e competências: do preconizado ao real). Módulo II: Conhecimento Técnico Científico (doenças sexualmente transmissíveis; alcoolismo; drogas; doenças e acidentes com animais domésticos) e Módulo III: Estratégias de Cuidado (saúde mental; saúde do idoso e saúde da criança).

Resultados Alcançados/Público Parceiro

A Educação Permanente em Saúde e muito mais que uma ferramenta norteadora, pois, trabalha o pensar-agir dos sujeitos inseridos onde os mesmos são seres ativos da ação por meio das problemáticas tendo como objetivo potencializar a aprendizagem, ser agente da transformação social, para assim detectar problemas reais e buscar coletivamente soluções. Utilizou as oficinas como forma de trabalho, visto possibilitar reflexão e construção de conhecimentos, promovendo um pensarem criativo e coletivo, propiciando o crescimento dos sujeitos envolvidos, fundamental para a produção de cuidado. Com esse trabalho, evidenciou-se a necessidade de fomentar estratégias para qualificação dos ACS, por meio da educação permanente em saúde, pois se constitui estratégia fundamental às transformações do trabalho no setor saúde para que venha a ser lugar de atuação crítica, reflexiva, propositiva, compromissada e tecnicamente competente. Assim, os espaços coletivos de discussões proporcionaram momentos importantes em que os ACS puderam expor suas dificuldades, falar de temas que envolvem suas práticas, a troca de saberes e idéias, estimulando o aprimoramento e a melhoria da produção do cuidado desenvolvido por esse trabalhador em saúde. A inserção dos acadêmicos de enfermagem nesse trabalho possibilitou a aproximação dos mesmos de um campo prático e de futura atuação como profissionais enfermeiros (as), e permitiu criarem estratégias problematizadoras a partir do cotidiano de trabalho dos agentes comunitários de saúde. Neste sentido, pensa-se que o profissional enfermeiro (a) como supervisor dos agentes comunitários precisa fomentar estratégias de instrumentalização desse trabalhador, construindo em equipe formas de resolver as problemáticas identificadas. Essas estratégias também vislumbram para um novo perfil desse trabalhador como um ser com voz ativa no processo de desenvolvimento do seu trabalho, tornando-se capazes de construir e desconstruir o saber e o pensar individual e coletivo.

Indicadores de Avaliação Utilizados

Utilizou-se a participação dos Agentes Comunitários de Saúde nos encontros, que foi de aproximadamente 25 Agentes. Como também o envolvimento de 4 acadêmicos de enfermagem e 4 docentes. Além disso, construí-se um questionário avaliativo das atividades desenvolvidas preenchidos por cada agente.

Referências

Freire P. Pedagogia do oprimido. 42ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 2005

Malfitano APS, Lopes RE. Educação popular, ações em saude, demandas e intervenções sociais: o papel dos agentes comunitários de saúde. CAD. Cedes, Campinas, 2009; 29( 79):361-372

Ceccim RB, Educação permanente em saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface Comunic Saúde Educ, 2005; 9(16):161-77

Ricaldoni, CAC, Sena, RR. Educação permanente: uma ferramenta para pensar e agir no trabalho de enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem [serial on the Internet]. 2006 Dec [cited 2010 Aug 04]; 14(6): 837-842. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext?pid=S0104-11692006000600002?lng=en.  doi: 10.1590/S0104-11692006000600002.  

1 autor, 2 orientador, 3 co-autor